Fantasmas

Poema, Português

Eles gostam dos meus nomes.

Aplaudem a multidão que trago 

pendurada em sobrenomes e alcunhas

insígnias sobreviventes da ventania

demoram meu título em suas línguas 

músculos de magias violentas

María, a casa sem ele é uma casa vazia

María, a casa vazia é um país morto

María, a tua casa, o teu pai e o teu país 

não cabem mais nas palavras 

que você conhece.

Eles me deram um novo alfabeto.

Gostam de me chamar cedo

invariavelmente eu aceito o convite

após o café da manhã

arranco o sorriso as unhas a sede

deixo um volto logo

insinuado nas costas 

e saio sem porta sem muro 

sem ver a previsão do tempo

saio de mim com pressa

fio de Ariadne feito rabicó.

Eles modelam a minha prosódia.

Nunca sei se volto pronome 

às vezes me duelo

como duelen los verbos avulsos

alguns passeios com eles me deixam 

a sensação esburacada de complemento 

circunstancial de lugar de tempo de companhia 

saio de mim sem saber se regresso 

se nos reunimos todas eu 

no elo das quatro palavras 

que nos nomeiam.

Eles me fazem sentir bem-vinda.

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